Carnívoro estrito: o que isso muda
O gato não consegue sintetizar alguns nutrientes que o cão sintetiza. Os três que mais importam:
- Taurina — aminoácido essencial para coração e visão. Deficiência causa cardiomiopatia dilatada e degeneração da retina
- Vitamina A pré-formada — o gato não converte betacaroteno vegetal
- Ácido araquidônico — precisa vir de fonte animal
Consequência prática: ração de cão nunca serve para gato, nem provisoriamente por alguns meses. E dentro da ração felina, a inclusão de proteína animal é o critério que mais importa.
Até quando
Cerca de 12 meses na maioria dos gatos. Raças grandes como Maine Coon vão até 18 ou 24 meses.
Como a castração costuma acontecer antes do primeiro ano, é comum a transição ir direto de filhote para castrado, sem passar pela ração de adulto comum.
Refeições
- Até 6 meses — 3 a 4 vezes ao dia
- 6 a 12 meses — 2 a 3 vezes
Gato tem estômago pequeno e faria muitas refeições pequenas na natureza. Deixar ração à vontade funciona enquanto ele não é castrado; depois, a porção controlada passa a valer.
Palatabilidade importa mais que em cão
Gato é neofóbico: o que ele aprende a comer na infância molda a preferência para a vida toda. Filhote exposto a uma textura só tende a virar adulto que recusa qualquer outra.
Vale expor o filhote a seca e úmida nessa fase, justamente para não criar um adulto que só aceita uma coisa — o que atrapalha muito quando ele precisar de dieta específica lá na frente.
Gato filhote que para de comer entra em risco mais rápido que cão: jejum prolongado pode levar a lipidose hepática. Troque de ração devagar, de sete a dez dias, e se ele recusar por mais de um dia, volte à anterior.
O que não dar
- Leite de vaca — a maioria não digere lactose; a diarreia desidrata rápido
- Ração de cão — pelos motivos acima
- Comida caseira sem formulação veterinária — desbalanceada em cálcio e taurina
- Atum de lata humano como base — excesso de mercúrio e desequilíbrio nutricional